"Quem não tem a coragem de enxergar o mal prova que não tem nenhum amor ao bem." - Olavo de Carvalho

Eleições 2020

Eleições 2020: entre dúvidas e certezas

        Passado o primeiro turno, é possível se fazer uma breve análise de como estão sendo as eleições de 2020 e também se ter uma visão de como serão as eleições de 2022.

        De uma forma geral se poderia dizer que o Brasil “está ganhando” já que a esquerda perdeu muitas prefeituras. O PT, que governava 257 municípios, caiu para 124, não elegeu nenhum candidato em capitais e quatro estados não possuem municípios governados pelo partido. O PCdoB teve um resultado ainda pior já que perdeu 51 prefeituras e está aguardando o segundo turno em Porto Alegre (RS), com sua candidata Manuela d’Ávila, que aparece em segundo lugar nas pesquisas. O PSOL, com apenas 0,69% do eleitorado, ficou com três municípios e também está aguardando o segundo turno em São Paulo (SP), com seu candidato Guilherme Boulos. A situação de São Paulo é crítica já que o candidato psolista disputa a vaga de prefeito com o “fique em casa” Bruno Covas. Covas está pleiteando a reeleição e aponta em primeiro lugar nas intenções de voto. O PSOL ainda pode perder mais uma prefeitura já que a disputa pelo cargo de prefeito de Belém (PA) está bastante acirrada. Disputam a vaga o atual prefeito, Edmilson, e o Delegado Eguchi, que já mostrou muita competência e idoneidade.

        Teoricamente, o resultado preliminar das eleições seria favorável aos brasileiros. Entretanto, a migração de partidos de centro-esquerda e centro-direita para o “centrão” não altera muita coisa já que o centro é uma esquerda travestida. Se os partidos de centro fossem bons para o país não teríamos um Rodrigo Maia (DEM) como presidente da Câmara dos Deputados e um Davi Alcolumbre (DEM) como presidente do Senado. Maia é investigado pela Lava Jato por envolvimento com corrupção no caso Odebrecht. Por sua vez, Alcolumbre é rechaçado pelos próprios cidadãos do Amapá, estado que o elegeu senador.

        Como não poderia deixar de ser, a desacreditada grande imprensa atacou o Presidente Bolsonaro com narrativas comuns a essa facção, dizendo que os candidatos apoiados por Jair Messias Bolsonaro não foram eleitos devido à queda de sua popularidade como Presidente. Não se poderia esperar nada diferente de jornalistas despreparados e tomados de ódio pelo atual Governo.

        As eleições de 2020 estão sendo marcadas por um número recorde de abstenções, provavelmente devido à pandemia. Entretanto o que mais chamou atenção foi o extremo despreparo do TSE na gestão do sistema eleitoral. O “confiabilíssimo” sistema foi hackeado justamente no dia da eleição, com consequente atraso na divulgação dos resultados.

        O Ministro Barroso, que quis passar uma imagem de profundo entendedor de eleições, mostrou apenas sua incompetência e inabilidade para exercer o cargo que ocupa no Tribunal Superior Eleitoral. Não teve ética e muito menos transparência no decorrer deste primeiro turno. Se já havia demonstrado total inexperiência como Ministro do STF, agora consolidou sua péssima imagem diante das inúmeras falhas no sistema eleitoral.

        As urnas eletrônicas entram em operação apenas nos períodos eleitorais, o que significa que o TSE tem dois anos, entre uma utilização e outra, para preparar todo o equipamento, de forma que não ocorra nenhuma falha técnica ou, no mínimo, que eventuais falhas sejam rápida e eficientemente corrigidas. Falhas como estas nos alertam sobre a falta de transparência do TSE e deixam dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro.

        Danilo Gentili, em seu programa “The Noite”, entrevistou Diego Aranha, professor de computação na Unicamp e especialista em criptografia e segurança computacional. A entrevista (assista esta entrevista, clicando no link que está no final desta matéria) aconteceu em 19 de agosto de 2014 e mostra como é possível fraudar as urnas eletrônicas, alterando-se os resultados das eleições apenas com pequenas modificações no código fonte do sistema eleitoral. Embora isso seja de extrema gravidade, até hoje nada foi feito. Além disso, a falta de um comprovante de voto impresso levanta a questão já tão discutida há anos: por que o TSE insiste em não dar essa garantia ao eleitor?

        Para piorar ainda mais a imagem do TSE, o Ministro Barroso acusa a direita de propagar inverdades sobre o sistema eleitoral e a inconfiabilidade das urnas eletrônicas. Todos os que “se atreveram” a falar sobre o assunto foram denominados de “milicianos” pelo próprio Ministro. E isso tem um motivo: as eleições de 2020 estão servindo de prévia do que acontecerá nas eleições de 2022.

        Se o Ministro Barroso não apresentar explicações coerentes sobre as falhas ocorridas nestas eleições, se abrirá uma brecha para duvidarmos da idoneidade do sistema eleitoral. Caso isso aconteça, poderemos entender que os responsáveis pelo processo eleitoral estão se preparando para uma eventual fraude nas eleições de 2022, com o propósito de não se reeleger Bolsonaro como Presidente já que, ao que tudo indica, existe uma organização esquerdista por trás de tudo isso e Bolsonaro representa um sério risco à retomada do poder, pela própria esquerda.

        A deputada Bia Kicis (PSL-DF) apresentou a Proposta de Emenda da Constituição (PEC) 135/19, que torna obrigatório o voto impresso para fins de auditoria. O relator é o deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), que se posicionou favoravelmente à admissibilidade do projeto. Ótima oportunidade para o Congresso e o TSE tornarem as eleições mais transparentes. Ótimo momento para o Ministro Barroso mostrar idoneidade e competência.

        Mas para quem pensa que isso termina por aqui, é necessário lembrar que o próximo Ministro do TSE será Alexandre de Moraes, também conhecido como “Kojak”. Ele mesmo! O responsável por inúmeras prisões de jornalistas, blogueiros e ativistas de direita, sem – até hoje – mostrar provas que justificassem tais prisões, mostrando que há uma verdadeira perseguição político-ideológica no Brasil.

        Eu, particularmente, não confio nas urnas eletrônicas, no processo eleitoral brasileiro e muito menos no Ministro Barroso e também não aconselho ninguém a acreditar. Os brasileiros do bem estão cansados de terem seus direitos e sua liberdade tolhidos por pessoas que se colocam acima de todos, como se fossem deuses. A confiança vale ouro mas o caráter não tem preço.


Programa "The Noite": Danilo Gentili entrevista Diego Aranha


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